Não sei se os encontros corporativos salvaram o pão de queijo ou se foi o pão de queijo que salvou os encontros corporativos. Em todas as reuniões que a minha memória alcança, ele estava presente. Na semana passada, eu e o Guebara fomos à FEIMEC, no Centro de Convenções Imigrantes. Participaríamos da abertura.
Os problemas começaram no estacionamento. Acelera, desacelera, esterça: deu trabalho, mas consegui estacionar. Às nove e meia da manhã, o evento começaria às dez, fui ao mesmo ponto do cerimonial do ano anterior. A moça de uniforme azul disse-nos que não seria ali, mas também não soube precisar o local. Instruiu-nos a seguir a fila e buscar informações na Doca 3.
A escada rolante nos levou até o andar térreo. Vencemos dezenas de metros em uma caminhada sob o sol forte. A multidão de participantes se embolava. Adivinhem? Não era lá. Mandaram-nos para a área VIP. Adivinhem? Não era lá. Encostei-me próximo ao balcão com a placa: INFORMAÇÕES. Descobri, naquele momento, que "informações" era uma palavra decorativa.
Sabe onde vai ser o cerimonial de abertura? Questionei ao atendente.
Você fez o credenciamento?
Surpreendi-me com a pergunta. Como criança pega fazendo arte, neguei com a cabeça.
Então, pergunte para aquele pessoal, apontou o dedo para outra fila.
Aquilo começava a me irritar. Lembrei-me de uma feira em Poços de Caldas e de como me acalmei após provar os pães de queijo mineiros. Pedi ao Guebara que fosse se informar enquanto tentava fazer o credenciamento. "Para que me credenciar se não sei onde será o cerimonial?" Enquanto preenchia a ficha, escutei o informante dizer ao novo atendente que, a partir daquele momento, mandaria todos os que chegassem para o outro balcão, pois ele mesmo não sabia o que estava fazendo ali.
Vamos embora, Guebara. Está muito bagunçado, admiti já perto das dez.
Subimos a escada rolante e voltamos ao ponto inicial da nossa peregrinação. Pronto, lá estava a mesma moça, na mesma roupa azul. Um homem passou pelo pórtico, que ela guardava, sem usar o crachá. Ela nada perguntou.
Vamos entrar também.
Guebara foi e me chamou. Sim, ali seria a abertura da feira. Autoridades, empresários, imprensa e outros convidados aguardavam o início junto à mesa do café. Aproximamo-nos. Alegrei-me de imediato. Reinando absoluta, no centro, uma cesta de pães de queijo.
Provei. Entendi que todas aquelas máquinas expostas talvez melhorassem a humanidade mas, naquele instante, era o pão de queijo que poderia salvá-la.
Fernando Dezena
Os problemas começaram no estacionamento. Acelera, desacelera, esterça: deu trabalho, mas consegui estacionar. Às nove e meia da manhã, o evento começaria às dez, fui ao mesmo ponto do cerimonial do ano anterior. A moça de uniforme azul disse-nos que não seria ali, mas também não soube precisar o local. Instruiu-nos a seguir a fila e buscar informações na Doca 3.
A escada rolante nos levou até o andar térreo. Vencemos dezenas de metros em uma caminhada sob o sol forte. A multidão de participantes se embolava. Adivinhem? Não era lá. Mandaram-nos para a área VIP. Adivinhem? Não era lá. Encostei-me próximo ao balcão com a placa: INFORMAÇÕES. Descobri, naquele momento, que "informações" era uma palavra decorativa.
Sabe onde vai ser o cerimonial de abertura? Questionei ao atendente.
Você fez o credenciamento?
Surpreendi-me com a pergunta. Como criança pega fazendo arte, neguei com a cabeça.
Então, pergunte para aquele pessoal, apontou o dedo para outra fila.
Aquilo começava a me irritar. Lembrei-me de uma feira em Poços de Caldas e de como me acalmei após provar os pães de queijo mineiros. Pedi ao Guebara que fosse se informar enquanto tentava fazer o credenciamento. "Para que me credenciar se não sei onde será o cerimonial?" Enquanto preenchia a ficha, escutei o informante dizer ao novo atendente que, a partir daquele momento, mandaria todos os que chegassem para o outro balcão, pois ele mesmo não sabia o que estava fazendo ali.
Vamos embora, Guebara. Está muito bagunçado, admiti já perto das dez.
Subimos a escada rolante e voltamos ao ponto inicial da nossa peregrinação. Pronto, lá estava a mesma moça, na mesma roupa azul. Um homem passou pelo pórtico, que ela guardava, sem usar o crachá. Ela nada perguntou.
Vamos entrar também.
Guebara foi e me chamou. Sim, ali seria a abertura da feira. Autoridades, empresários, imprensa e outros convidados aguardavam o início junto à mesa do café. Aproximamo-nos. Alegrei-me de imediato. Reinando absoluta, no centro, uma cesta de pães de queijo.
Provei. Entendi que todas aquelas máquinas expostas talvez melhorassem a humanidade mas, naquele instante, era o pão de queijo que poderia salvá-la.
Fernando Dezena