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Golpe do falso gerente expõe fragilidade na comunicação do Bradesco

Fonte: Jornal do Parabrisa 15/05/2026

Golpe do falso gerente do Bradesco provoca prejuízo de 40 mil reais em empresário de São João da Boa Vista e expõe fragilidade na comunicação do Bradesco. Banco diz que não vai reembolsá-lo.   O que parecia ser apenas um contato empresarial de rotina...

Golpe do falso gerente expõe fragilidade na comunicação do Bradesco
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Golpe do falso gerente do Bradesco provoca prejuízo de 40 mil reais em empresário de São João da Boa Vista e expõe fragilidade na comunicação do Bradesco. Banco diz que não vai reembolsá-lo.
 
O que parecia ser apenas um contato empresarial de rotina acabou se transformando em prejuízo financeiro e muita dor de cabeça para um empresário da região. No fim de março, ele recebeu uma mensagem via WhatsApp de uma mulher que se apresentou como a nova gerente de sua conta no Banco Bradesco. De forma cordial, ela perguntou se poderia fazer uma breve ligação para se apresentar, o que foi aceito pelo cliente.
Como o empresário já havia recebido anteriormente contatos semelhantes de gerentes do próprio banco em outra conta empresarial, não desconfiou da abordagem. A primeira conversa durou cerca de três minutos e aparentava total normalidade. Nos dias seguintes, os contatos continuaram de forma frequente, sempre em tom profissional e amistoso, o que acabou reforçando a confiança da vítima.
Após vários dias de conversa, a suposta gerente informou que seria necessário realizar uma atualização de segurança na conta bancária. Durante a ligação, o empresário foi orientado a acessar um link que levava a uma página visualmente idêntica ao ambiente oficial do banco.
O golpe só foi descoberto dois dias depois. Ao verificar o saldo da conta, o empresário percebeu que haviam sido realizados dois Pix de aproximadamente R$ 4.999 para contas vinculadas aos bancos C6 Bank e Banco Inter, em nome de empresas que posteriormente apresentaram indícios de serem fantasmas. Como a conta não possuía saldo, os criminosos ainda utilizaram praticamente todo o limite do cheque especial.
O prejuízo aumentou quando o empresário acessou uma segunda conta da mesma empresa e constatou que os golpistas também haviam realizado diversas transferências para as mesmas contas destinatárias. Dessa vez, foram retirados cerca de R$ 20 mil que estavam disponíveis em saldo, além de aproximadamente R$ 10 mil do limite do cheque especial, elevando o prejuízo total para quase R$ 40 mil. Eles conseguiram entrar na conta e alterar, inclusive, o  valor limite máximo de transferência, mostrando total conhecimento do mecanismo do banco. 
O empresário firma ainda que nunca usou o limite do cheque especial. Ele aind tentou utilizar o sistema do Banco Central p chamado MED (Mecanismo Especial de Devolução), criado para tentar recuperar valores enviados via Pix em casos de fraude e golpes bancários. O mecanismo permite que os bancos rastreiem as transferências, bloqueiem valores ainda disponíveis nas contas destinatárias e iniciem procedimentos de devolução às vítimas. Especialistas recomendam que a comunicação ao banco seja feita o mais rápido possível após a descoberta do golpe, aumentando as chances de recuperação do dinheiro.
Neste caso, o banco só conseguir recuperar R$ 6,02 - valor rídiculo, mas que comprova que o banco reconhece queos  pix foram fraudados.


Veja como funciona o golpe
 
Clientes do Bradesco têm relatado um golpe cada vez mais sofisticado, no qual criminosos se passam por gerentes da instituição para conquistar a confiança das vítimas e obter acesso às contas bancárias. O caso tem levantado questionamentos sobre o modelo de comunicação utilizado pelo banco, considerado por muitos clientes vulnerável e semelhante demais às abordagens utilizadas pelos fraudadores.
A abordagem normalmente começa pelo WhatsApp. Os golpistas entram em contato utilizando nomes, fotos e linguagem que aparentam ser de funcionários reais do banco e, em muitos casos, já possuem informações da conta do cliente. Na conversa, o falso gerente se apresenta como novo responsável pela conta e se coloca à disposição para ajudar em qualquer necessidade financeira.
Em seguida, pergunta se pode realizar uma ligação. Durante a conversa telefônica, o criminoso fala sobre investimentos, tarifas, dúvidas bancárias e até convida o cliente para conhecer a agência pessoalmente, numa tentativa de transmitir credibilidade e criar um vínculo de confiança.
O que mais chama atenção das vítimas é a semelhança entre o comportamento dos golpistas e os contatos legítimos realizados pelo próprio banco. Segundo relatos, criminosos conseguem reproduzir com facilidade a mesma dinâmica de comunicação usada em atendimentos reais, dificultando que o consumidor identifique sinais de fraude.
Dias depois, o contato recomeça. O suposto gerente informa que está analisando a conta e afirma que pode ser necessária uma atualização de segurança ou de cadastro. Inicialmente, nenhum dado é solicitado, justamente para evitar desconfiança.
Após novas conversas, o golpista comunica que conseguiu reduzir tarifas bancárias ou liberar benefícios para a conta e explica que será necessário realizar um procedimento de atualização de segurança. Nesse momento, orienta a vítima a acessar um link falso, visualmente semelhante ao site oficial do banco.
Já durante a ligação, o criminoso solicita chaves de acesso ou códigos do aplicativo bancário. Com essas informações, consegue assumir o controle da conta e realizar transferências via Pix para contas de terceiros. Como a vítima permanece ao telefone durante toda a ação, muitas vezes não percebe os alertas de movimentações e transferências sendo concluídas em tempo real.
Em um dos casos registrados em São João da Boa Vista, um empresário perdeu cerca de R$ 40 mil após criminosos acessarem as contas de duas empresas. Diversos Pix foram enviados para contas empresariais abertas recentemente em instituições como Banco Inter e C6 Bank.
Segundo informações levantadas durante a apuração, as empresas beneficiárias haviam sido abertas na mesma semana das transferências e utilizavam endereços falsos em seus registros de CNPJ. Outro detalhe que chamou atenção foi o fato de que o mesmo telefone e o mesmo e-mail utilizados na abertura dessas empresas também teriam sido usados para criar pelo menos outros oito CNPJs no mesmo dia, indicando um possível esquema estruturado de abertura sucessiva de empresas de fachada.
 
O caso levanta questionamentos sobre os mecanismos de validação utilizados tanto para a criação de empresas quanto para a abertura de contas bancárias vinculadas a esses CNPJs, já que, segundo relatos, os registros continuariam sendo criados normalmente mesmo diante de indícios de irregularidade.
Além do prejuízo financeiro, vítimas também relatam frustração com a forma como o atendimento bancário tem lidado com os casos. Muitos clientes afirmam que, após o golpe, encontram dificuldade para obter suporte efetivo, sendo direcionados apenas para canais genéricos de atendimento, protocolos eletrônicos e centrais telefônicas que oferecem pouco esclarecimento e quase nenhum acolhimento diante da gravidade da situação.
Para quem acabou de perder economias pessoais ou recursos de empresas, a sensação é de abandono. Segundo relatos, faltam respostas rápidas, acompanhamento individualizado e medidas imediatas capazes de transmitir segurança ao cliente no momento mais delicado. A demora no retorno e a burocracia acabam aumentando ainda mais a angústia e o desgaste emocional das vítimas, que se veem obrigadas a buscar ajuda jurídica para tentar recuperar os valores perdidos.
O golpe ganhou ainda mais repercussão recentemente após a influenciadora Rariika Acler relatar nas redes sociais (https://www.instagram.com/reels/DYDUW91Jf9Z/) que também teria sido vítima de criminosos que se passaram por representantes do banco. Em vídeos publicados no Instagram, ela criticou a postura do Bradesco, afirmando que não recebeu o suporte esperado após o ocorrido e alertando seguidores sobre a sofisticação do esquema.
Enquanto os casos aumentam, são necessárias mudanças nos protocolos de atendimento e segurança, principalmente na forma como o banco realiza contatos com correntistas. Para muitas vítimas, a dificuldade em diferenciar um gerente verdadeiro de um golpista se tornou um dos principais fatores que permitem a continuidade desse tipo de fraude.
 
 
Se você foi vítima deste golpe, entre em contato com a redação pelo telefone/zap: 19-99601-6800 ou pelo email jornalismo@parabrisa.com.br
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