Os atendimentos médicos por dor nas costas têm crescido de forma expressiva no Brasil e, cada vez mais, atingindo os jovens. Dados recentes mostram que, nos últimos cinco anos, os atendimentos hospitalares no SUS para esse tipo de queixa aumentaram 37,5%, enquanto os atendimentos ambulatoriais subiram 27%, com destaque para a faixa etária de até 19 anos.
A mudança no estilo de vida, impulsionada pela pandemia e pela digitalização da rotina, tem papel central nesse cenário, segundo especialistas.
“Os jovens de hoje se movem muito menos”, disse o fisioterapeuta e professor de pilates, Pedro Mansi. “Os jovens de hoje são diferentes dos jovens das décadas de 1980 e 1990, quando o mundo acontecia fora de casa. Com a era digital, tudo mudou.
Os dispositivos eletrônicos deixaram os jovens mais reclusos dentro do quarto, na frente das telas. A movimentação constante deu lugar a um corpo parado, aumentando sobrepeso e alterações posturais precoces”, explicou.
Mansi afirma que observa aumento significativo de jovens com dores nas costas no consultório e afirma que o sedentarismo é o principal vilão.
Para o especialista, o corpo humano é uma máquina feita para o movimento e quando isso não acontece, as consequências aparecem cedo. “O sedentarismo causa perda de força muscular, massa muscular e massa óssea, além de desgastes articulares que levam às dores”.
O uso prolongado de celular e computador, especialmente sem pausas, também está entre os fatores que mais prejudicam a coluna dos adolescentes e jovens adultos. “A pessoa fica entretida, passa horas na mesma posição e não percebe a postura errada. Isso é totalmente prejudicial à coluna”, alertou.
A pandemia agravou esse comportamento. O home office e as aulas online levaram crianças, jovens e adultos a utilizarem espaços improvisados para trabalhar ou estudar, como sofás, cadeiras inadequadas e até a cama. “Além da falta de movimentação, houve aumento de estresse e ansiedade. Tudo isso somatiza e impacta o corpo”, acrescentou.
Posturas inadequadas mantidas por longos períodos podem provocar sobrecarga articular, desalinhamentos e desgaste progressivo da coluna. Os sinais de alerta que exigem avaliação profissional incluem: dor persistente por semanas mesmo com analgésicos e repouso; formigamento; dormência; sensação de choque irradiando para braços ou pernas.
“Além das curvaturas acentuadas, como escoliose, cifose e lordose, existem riscos de discopatias, desde protusões até hérnias de disco. E jovens também podem desenvolver esses problemas”, explicou.
O especialista lembra que posturas incorretas, sedentarismo, sobrepeso e exercícios mal executados também elevam o risco, assim como mochilas pesadas que podem causar dores e alterações posturais importantes. “O ideal é reduzir o peso e sempre usar as duas alças”.