A tradicional coleção de figurinhas da Copa do Mundo chega à edição de 2026 com preços mais altos e uma coleção maior. A editora Panini Brasil já iniciou a pré-venda do álbum oficial do torneio e o lançamento nas bancas está previsto para o dia 1º de maio. Cada envelope custará R$ 7 e trará sete figurinhas, o que deve elevar o gasto dos colecionadores para completar a coleção.
O álbum também terá aumento no número de páginas e figurinhas. A edição acompanha a ampliação do torneio, que pela primeira vez contará com 48 seleções e será disputado em três países, Estados Unidos, Canadá e México. Ao todo, a coleção terá 980 figurinhas, sendo 68 especiais, distribuídas em 112 páginas. No álbum da Copa do Mundo de 2022, eram 670 cromos.
Além do custo dos pacotes, o próprio álbum terá diferentes versões. A edição em brochura custará R$ 24,90, enquanto a versão especial em capa dura será vendida por R$ 79,90.
Na prática, completar a coleção ficará mais caro. Mesmo em uma situação hipotética em que o colecionador consiga trocar todas as figurinhas repetidas e não desperdice nenhum cromo, o gasto mínimo para completar o álbum deve ultrapassar R$ 1.000.
Para efeito de comparação, o álbum da Copa de 2022 tinha um custo teórico de cerca de R$ 550 nas mesmas condições. Considerando a inflação acumulada medida pelo IPCA entre 2022 e 2025, que ficou em torno de 21%, o aumento do custo da coleção chega a aproximadamente 81%, indicando uma alta real acima da inflação no período.
Apesar do aumento de preço, a tradição de colecionar figurinhas segue viva entre apaixonados por futebol. Em São João da Boa Vista, o professor de Educação Física Marcos Regini mantém essa tradição há mais de três décadas e possui todos os álbuns completos desde a Copa do Mundo de 1990.
“Em 1990 eu e meu irmão já participávamos do time de futebol da Esportiva. Na época, muitos amigos colecionavam álbuns e nós também quisemos participar. Nosso pai comprou um para nós dois completarmos juntos, e assim começou tudo. A gente gostava de esporte, torcia para a seleção brasileira e se divertia com os amigos”, contou.
Regini lembra que a experiência de completar os álbuns era diferente na infância, quando as trocas aconteciam de forma mais espontânea entre amigos.
“Quando a gente era criança era bem mais divertido. Anotávamos à mão as figurinhas que faltavam, trocávamos com os amigos e até batíamos figurinha. Era uma época maravilhosa. A gente acompanhava de verdade, conhecia os jogadores de todas as seleções”, recordou.
Hoje, a tradição também envolve a família. Desde a Copa da Rússia, em 2018, ele já pensa em passar a coleção para os filhos.
“Desde a Copa da Rússia eu já faço pensando em passar o bastão para meus filhos, e a gente faz um álbum só para a família toda, porque realmente está muito caro. Eles gostam de colar as figurinhas, de brincar e de trocar com os amigos. Em breve essa missão estará nas mãos deles para continuar a tradição”, afirmou.
Além de colecionar álbuns, Regini também participa da organização de um tradicional bolão da Copa do Mundo, que reúne dezenas de participantes.
“Eu e o Luís Sérgio Benedetti assumimos essa missão em 2006, mas o bolão já existia desde a Copa de 1990, organizado pelos parentes dele, e nós passamos a ajudar na organização”, explicou.
“Antes era tudo bem artesanal. Aos poucos fomos usando planilhas e hoje já existe até aplicativo para ajudar. Fica tudo na palma da mão. Normalmente participam mais de cem pessoas. É algo saudável e divertido, que faz a gente querer assistir e torcer em todos os jogos”, destacou.