Por Ana Paula Fortes
A cidade ficou alerta após a repercussão da morte de uma criança de 3 anos, em Conchal (SP), picado por um escorpião dentro da própria casa. De acordo com o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de São João da Boa Vista, embora a ocorrência seja considerada sazonal, já foram registrados 83 acidentes com escorpiões entre janeiro e março deste ano, um aumento de cerca de 20% em relação a 2025, número que reforça a necessidade de atenção da população.
O CCZ explica que os escorpiões tendem a aparecer com mais frequência em locais úmidos e com acúmulo de entulho, condições comuns em períodos mais quentes e chuvosos. Para conter a proliferação, o órgão realiza campanhas de orientação e ações contínuas de busca ativa.
GRUPOS MAIS VULNERÁVEIS
Crianças com menos de dez anos e idosos acima de 60 estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos da picada. No entanto, a orientação é de que qualquer pessoa picada deve procurar atendimento imediato.
Na região, o atendimento de referência é feito pela Santa Casa Dona Carolina Malheiros, que atende São João e cidades vizinhas, com disponibilidade de soro antiescorpiônico e outros antivenenos.
ESPÉCIES E ÁREAS DE RISCO
Duas espécies são predominantes na cidade: o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), mais comum e encontrado em diversas regiões urbanas, e o escorpião-marrom (Tityus bahiensis), mais frequente em áreas próximas a vegetação.
Segundo o CCZ, o escorpião-amarelo já foi identificado em bairros variados, incluindo regiões centrais, áreas próximas à linha do trem e locais com maior adensamento urbano, enquanto o marrom aparece mais em áreas verdes.
O trabalho de controle envolve visitas técnicas e orientação direta aos moradores. Imóveis com condições inadequadas podem ser notificados e até multados, caso não regularizem a situação. Terrenos abandonados também são encaminhados para fiscalização ambiental.
Diferente do que muitos imaginam, o uso de inseticidas não é recomendado. Segundo o CCZ, essa prática pode piorar a situação, pois desaloja os escorpiões e aumenta o risco de acidentes.
Entre as principais orientações estão: manter ralos protegidos com telas, vedar frestas em portas, janelas, muros e paredes; evitar acúmulo de entulho, folhas e materiais de construção, manter o quintal limpo e com vegetação controlada e combater insetos como baratas, que servem de alimento.
Moradores podem solicitar vistoria ou fazer denúncias por meio da Ouvidoria Municipal ou em contato direto com o CCZ tanto pelo telefone 3631-6768, quanto presencialmente no setor, que fica localizado na rua Antônio José Milan, 400, Jd. Vila Rica.