Uma das mais inspiradoras páginas do Espiritismo Kardecista, em minha opinião, está no capítulo do “Nosso Lar” que trata dos bônus-hora. Segundo o livro, psicografado por Chico Xavier, com os trabalhos de auxílio no mundo superior, os membros de uma família de espíritos acumulam bônus de serviços. Cada hora de trabalho corresponde a um bônus-hora, que é uma espécie de “moeda corrente” no céu. Com os bônus, eles podem construir casas celestiais que abriguem pela eternidade – nos períodos de desencarne – pai, mãe, filhos e netos, por exemplo, antes de novas encarnações.
– Sim, claro. Por enquanto estou só estudando a planta baixa, meu amor. Com os bônus-hora que já juntamos, acredito que dê pra começar o alicerce da nossa vivenda espiritual.
– Estou fazendo o prato preferido de cada um e guardando tudo no freezer, para quando eles chegarem. Depois dos beijos do reencontro, imagina só irmos pra mesa e observar cada um deles se fartando com as comidas que mais gostam. Ai, eu não vejo a hora!
– E quem será que vem primeiro? Acha mal perguntar para os nossos mentores espirituais? Talvez eles saibam e contem pra gente.
– Não sei… acho que isso nem eles podem adivinhar. Só os círculos celestes muito, muito altos. Tá além da nossa compreensão e da nossa vontade, meu velho.
– O que me aflige é ficar vendo os meninos lá, batendo cabeça, perdendo o sono por pouca coisa. Quanta preocupação boba, quanto nervosismo, quanto inquietação lá na Terra…
– O pior é que, pelo menos por enquanto, a gente não pode descer, se materializar e dizer que o inferno é lá. Que aquilo não é vida, que a vida de verdade é aqui. E onde ela começa é justamente quando eles acham que é o fim de tudo.