Oscar de Melhor Filme Internacional faz cinema brasileiro voltar a brilhar

Fonte: Omunicipio 05/03/2025

Por Clovis Vieira A produção do filme brasileiro ‘Ainda Estou Aqui’ custou R$ 45 milhões, orçamento muito abaixo de muitas das produções que concorriam este ano, mas venceu na categoria de Melhor Filme Internacional na 97ª edição do Oscar. A cerimôni...

Oscar de Melhor Filme Internacional faz cinema brasileiro voltar a brilhar
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Por Clovis Vieira

A produção do filme brasileiro ‘Ainda Estou Aqui’ custou R$ 45 milhões, orçamento muito abaixo de muitas das produções que concorriam este ano, mas venceu na categoria de Melhor Filme Internacional na 97ª edição do Oscar. A cerimônia de premiação aconteceu na noite do domingo (2), em Los Angeles, EUA. Nele, a atriz Fernanda Torres e o ator Selton Mello foram dirigidos por Walter Salles. Infelizmente, apesar de receber elogios em todos os países onde ‘Ainda Estou Aqui’ foi exibido, Fernanda Torres não ganhou o Oscar de Melhor Atriz.

O discurso do diretor brasileiro ao receber o prêmio merece ser reproduzido: “Primeiramente, obrigado em nome do cinema brasileiro. Estou muito honrado de receber esse prêmio entre um grupo de cineastas tão extraordinários. Esse prêmio vai para uma mulher, que durante uma perda sofrida em um regime autoritário, decidiu não se curvar e resistir. Então, esse prêmio vai para ela. O nome dela é Eunice Paiva. E também vai para as duas mulheres incríveis que interpretaram ela, Fernanda Torres e Fernanda Montenegro”.

Diretor e atores principais do filme nacional precisaram, literalmente, viajar o mundo, participar de mais de 100 encontros em diferentes cidades, em vários países, enfrentando entrevistas, jantares e divulgação, entre outros eventos de um modo geral, pois sem isso, o filme não seria tão conhecido. No Brasil o filme foi visto por mais de 5,2 milhões de espectadores até este fim de semana, somando mais de R$ 120 milhões em bilheteria mundial.

Mesmo se os resultados dessa premiação fossem outros, a crítica e o público confirmam que o filme brasileiro já fez história e atraiu, novamente, os olhares do mundo para a produção cinematográfica nacional. O tema tratado em ‘Ainda Estou Aqui’, o modo como foi roteirizado e filmado, as atuações dos atores e o geral da produção impactaram plateias mundo afora e parece que esse frenesi está longe de acabar.

Trata-se de um evento isolado ou alguma coisa mudou para melhor nesse produto brasileiro? “O filme vem recebendo prêmios nacionais e internacionais, o que confere a ele aquela autenticidade que impacta, além de destacar um cuidado na produção que está impressionando plateias em muitos países”, apontou David Ribeiro, sanjoanense que tem formação acadêmica em cinema e dirigiu dois trabalhos na cidade que foram marcantes: ‘Malgrado’, em 2014, e o docudrama ‘Orides, Onde Ninguém Mais’, em 2018.

Ribeiro avalia que essa avalanche de prêmios conquistados por ‘Ainda Estou Aqui’ e os três internacionais de ‘O Último Azul’, abre os olhos do brasileiro para a produção nacional, fato ocorrido exatamente depois que as premiações começaram a acontecer. O diretor afirma que essa realidade amplia o foco sobre o cinema nacional dentro do país. “O filme brasileiro é muito assistido e muito bem avaliado fora daqui, por exemplo em diversos países da Europa e mesmo nos Estados Unidos e América Latina”. ‘O Último Azul’ (2025), dirigido por Gabriel Mascaro e estrelado por Rodrigo Santoro, recebeu o Urso de Prata, mais dois prêmios, no Festival de Berlim em 22 de fevereiro.

CÍRCULO VICIOSO

A questão de o brasileiro não estar – por enquanto – assistindo aos seus próprios filmes na frequência ideal, tem resposta nos problemas culturais do país, nas políticas públicas relativas à Arte e à Cultura nacionais e se deve, também, à distribuição que, via de regra, fica na mão de grandes distribuidoras com seus interesses particulares, pondera David. “Estamos acostumados a assistir a telenovelas brasileiras, mas não a filmes brasileiros”. Acrescente-se a esses fatores o reinado dos streamings que chegam na casa do espectador via Netflix e outros.

Porém, com os prêmios de ‘Ainda Estou Aqui’ e ‘O Último Azul’ ampliando a visibilidade do cinema brasileiro, David acredita que um desejável ‘círculo vicioso’ pode estar se instalando: o público procura mais por filmes nacionais, os investidores começam a se aproximar dos estúdios, as produções melhoram em qualidade, o mercado de trabalho para artistas e técnicos se amplia e se fortalece “impulsionando a arte cinematográfica no Brasil”, concluiu.

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