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23/06/2020 | 10:00

Projeto Fotográfico provoca reflexão sobre o racismo estrutural

Gazeta de São João | Jornalismo

Segundo o IBGE, ser um jovem negro no Brasil significa quase triplicar a chance de morte por homicídio entre os 15 e 29 anos em relação ao homem branco da mesma faixa etária. Este dado, junto com outras informações que constam do estudo “Desigualdades sociais por cor ou raça no Brasil” (2019), traçam um triste panorama da nossa realidade, passados mais de 100 anos do fim da escravidão.  

Episódios recentes como a morte de João Pedro (14), abatido a tiros pela polícia do Rio de Janeiro enquanto brincava dentro de sua casa, ou a tragédia que atingiu a família do pequeno Miguel (5), vítima do racismo estrutural que relega ao descuido a criança negra desde a primeira infância, são lembretes contínuos da força com que se abate sobre os negros o preconceito e a crueldade social.

Diante deste cenário, ver despontar o trabalho fotográfico de um jovem negro que dá voz e protagonismo à sua etnia, é motivo de muito orgulho para o curso de Jornalismo da UNIFAE, que propiciou ao ex-aluno Léo Felipe a descoberta da sua vocação: “Foi na Instituição que descobri minha paixão por fotos e escolhi realizar o livro "Toda alma é raiz", como meu trabalho de conclusão de curso, em 2019”.

Orientado pelo Prof. Nilton Queiroz, o projeto fotográfico é uma releitura visual dos textos de Conceição Evaristo. “O objetivo específico foi contar a trajetória da escritora negra, de origem extremamente humilde, que conquistou espaço na literatura brasileira, alcançando o reconhecimento do público e da crítica especializada, mas o livro também provoca a reflexão, em um contexto mais global, sobre a história de exclusão da mulher negra no Brasil”, comenta o professor.

A força do preconceito

Segundo Léo, a sua abordagem é uma forma de garantir que as pessoas negras sejam representadas e reconheçam sua beleza: “Elas já são rejeitadas em muitos aspectos e eu não queria que a fotografia fosse mais um deles. Sou o único na minha cidade a fotografar os negros e meu trabalho já foi alvo de ataques racistas. Recebi mensagens de um perfil fake dizendo que minhas fotos eram horríveis porque só tinha preto, e ainda ironizando: ‘que bom que não os vendem mais’. Esse comentário me deixou muito abalado, a ponto de não conseguir produzir durante meses”.

Embora exista no mundo inteiro e se manifeste como um forte entrave às políticas de igualdade social, para a socióloga Carmem Lia, professora da UNIFAE, o racismo está entranhado na história do Brasil: “O negro veio ao Brasil escravizado, não foi integrado à estrutura cultural. Mesmo após a miscigenação, os pardos também não foram incorporados. Sem acesso às mesmas estruturas educacionais e econômicas que os brancos, foi preciso que o governo adotasse ações com força de lei para garantir que esta população tivesse acesso a universidades e concursos, o que ficou conhecido como política de cotas. A meu ver, esta é uma iniciativa para que a democracia racial possa acontecer, mas a verdadeira solução passa por disponibilizar acesso à educação, saúde e trabalho para que os negros possam disputar seu lugar no mundo em condição de igualdade”.

Fonte: Gazeta de São João

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