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23/04/2017 | 10:46

Museu tem armário com retrato de Tiradentes

Guia São João | Jornalismo

Um armário exposto no Museu de Arte Sacra de São João da Boa Vista (SP) revela parte da história de Tiradentes e, de acordo com o historiador Antônio Carlos Lorette, pode ser um dos principais artigos da Inconfidência Mineira. 

A peça foi comprada por Joaquim José da Silva Xavier na época em que ele estava no Exército. Tratava-se de um presente para sua noiva à época e traz retratos do casal, uma rara imagem do mártir.

 

Com quase 2,5 metros de altura, o armário é de cedro rosa, talhado no estilo rococó, e foi dado para Antônia Maria do Espírito Santo guardar o enxoval de casamento. 

"Tiradentes vai ter uma filha com essa mulher, que tinha na ocasião de 16 a 17 anos de idade. Ele tinha 40 anos, então ele acaba se comprometendo, ele faz uma promessa de casamento para ela", contou Lorette. 

Mas os planos do alferes de ter uma esposa não se consumaram. Ele terminou o noivado ao saber que Antônia não se comportava bem quando ele viajava e, com o rompimento, deu o móvel de presente para a sobrinha.

 

Por sua oposição ao domínio português, Tiradentes foi condenado à forca por traição. Fazia parte da sentença declarar filhos e netos infames, confiscar todos os bens, salgar o terreno onde morava para que nada mais brotasse da terra e destruir a casa e tudo o que havia dentro dela. O armário, porém, não estava no imóvel, por isso é um dos poucos objetos que pertenceram ao alferes que ainda existem. 

"O armário estava com a família. Ele migrou para Caldas, vai ficar na fazenda Capivari, essa fazenda vai ser vendida para a família da Tita de Oliveira, que vai ser a dona Inês Pio da Silva, a matriarca de Caldas, e aí esse armário vai ser trazido para a fazenda Cachoeira, em São João da Boa Vista", detalhou Lorette.

A pintura do armário foi feita pelo alferes Manuel Victor de Jesus, amigo de Tiradentes. Laços e rosas revelados em um processo de restauração remetem ao amor, ao romantismo, e há nas portas imagens do casal. De um lado está a noiva, com um coração nas mãos, e do outro aparece Tiradentes com o uniforme de alferes e o rosto apagado. 

"Esse risco era de propósito, algum propósito muito estranho. Era justamente para esconder essa origem", disse Lorette. 

Até hoje não se sabe como eram as feições de Tiradentes e, com o risco, o móvel que tanto tem para revelar sobre a vida amorosa do alferes mantém o segredo. 

"Tiradentes não tem nenhuma configuração, nenhuma imagem, nenhum retrato que a gente possa dar certeza ou razão. A gente pelo menos tem um riscado e uma intenção. Talvez essa seja a grande relíquia da Inconfidência", afirmou o historiador.

 

 

Fonte: Globo.com

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