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28/08/2020 | 08:39

Manifesto dos artistas visuais de São João em prol de um espaço expositivo centralizado

Guia São João | Jornalismo

Um manifesto dos artistas visuais de São João da Boa Vista foi encaminhado ao  Exo. Prefeito Vanderlei  no qual pintores, escultores, desenhistas e até fotógrafos, reivindicam um espaço expositivo centralizado e acessível para a promoção de mostras de Arte. 

Os artistas visuais acreditam que os espaços que o Departamento de Cultura oferece são espaços que, para determinados projetos culturais, até podem ser utilizados como uma Bienal ou, por exemplo, um Salão de Arte que, geralmente contempla um público selecionado para o evento, pois, com a descentralização e sem fluxo normal de pessoas abrange mais convidados. Os artistas consideram importante levar em consideração também as pessoas que nunca visitaram uma exposição artística e que, ao perceber um evento, acabam entrando por curiosidade tendo assim pela primeira vez o contato com a arte. “ É preciso pensar também naquela criança, ou naquele jovem que ao entrar em uma exposição pela primeira vez passa a ter o gosto pela arte e a buscá-la por toda uma vida”, afirma Lucas Zofanetti, precursor do Manifesto. 

Na opinião do Diretor de Cultura a organização de eventos culturais em espaços centralizados é irrelevante no momento, o que não comunga com os vinte e um artistas que assinaram a reivindicação encaminhada ao Prefeito e as mais de quinhentas assinaturas coletadas (com segurança) da população que também acredita na importância deste espaço centralizado. O Bispo Diocesano Dom Antonio Emidio Vilar emitiu uma nota de apoio ao manifesto dos artistas visuais do município. Dom Vilar, lembrou que a missão da igreja está sempre ligada ao educar, além de ser a grande incentivadora da cultura e das artes, reconhecendo o projeto como precioso para todos nós. É importante ressaltar que Dom Vilar simplesmente acredita na importância de um espaço centralizado, sem mencionar, no entanto, algum espaço especifico. Dom Vilar inclusive ressaltou que a igreja irá estudar também possibilidades de abrir espaços para este tipo de evento.

O TEATRO
Na década de 90 várias mostras de arte ocorreram  no hall do Teatro, porém, após sua reforma  um convênio entre a Prefeitura Municipal e a AMITE (Associação Amigos do Theatro) proibiu a utilização do hall de entrada, pois este tipo de evento atrapalharia a realização dos eventos no Teatro, o que desanimou grande parte dos artistas visuais de São João  a promoverem exposições culturais na cidade. Os artistas visuais não concordam com esta proibição, pois eventos não são realizados no Teatro todos os dias, bastando um planejamento para a realização dos mesmos. 

Vários questionamentos foram protocolados ao Departamento de Cultura, um deles questionando o Teatro Municipal à respeito do uso do hall. O Departamento de Cultura afirma neste questionamento, que não existe lei que determine ou impeça a realização de exposições culturais no hall de entrada do Teatro Municipal: 

…“Nessa lei, não existe nada que determine ou impeça a realização de exposições culturais no hall do Theatro Municipal”… afirmação do Departamento de Cultura recebida no dia 06 de julho via protocolo, porém no dia 17 de agosto, dias após o recebimento das respostas do Departamento,  o Diretor de Cultura encaminhou (via whatsapp) para Lucas Zofanetti  (artista plástico) um circulado constando : 

 Artigo 7:  Está proibida a utilização das instalações do Theatro Municipal de São João da Boa Vista para eventos que o descaracterizem das atividades para as quais foi criado, inclusive o espaço do foyer que não poderá receber exposições de qualquer natureza – Regimento Interno da AMITE 

Segundo o Departamento de Cultura, nenhum Teatro no Brasil promove exposições em hall de entrada o que é uma inverdade. Inúmeros Teatros no Brasil prestigiam as artes visuais em seus halls de entrada como o Teatro Municipal de Campinas, o Teatro Municipal de São João del- Rei, os dois Teatros de Ribeirão Pires, entre outros. Segundo o Diretor de Cultura do nosso município, ele continuará mantendo até o dia 31 de dezembro sua opinião de não autorizar este tipo de evento por parte da Prefeitura naquele local.  

“As primeiras exposições do meu ateliê foram realizadas no foyer do Teatro Municipal. Era muito gratificante, pois toda a população tinha acesso a esse espaço o qual era muito visitado. Havia muita movimentação por ser um a área central em São João da Boa Vista. Depois que as exposições foram transferidas para a Estação somente os familiares do expositor as visitavam em virtude de ser uma área fechada, escura e de difícil acesso. Se voltar a promover exposições no Teatro será muito bom, pois São João é berço de artistas os quais necessitam de um espaço centralizado para promover seus eventos, atraindo mais ainda a população para dentro do Teatro Municipal”, afirma a artista plástica Rubia Ribeiro. 

Já a artista Nádia Frigo Januário, filha do saudoso artista Arsênio Frigo, ressaltou: 

“É preciso valorizar mais as artes plásticas em nosso município! Sempre que promovi exposições no Teatro era sempre um sucesso! Cabe lembrar uma grande incentivadora que tive Aparecida Mageon, Diretora de Cultura e Turismo na década de 90. 

 A PAGÚ
Questionado também em relação ao Centro Cultural, o Departamento de Cultura afirma que neste espaço não há a possibilidade de ter exposições de artes plásticas ou similares, ressaltando que   possuímos dois outros espaços com esta finalidade, a Cidade das Artes, recém inaugurada e a Estação. Cabe ressaltar que o Departamento de Cultura afirmou também, via protocolo, que a exposição de uma artista  realizada o ano passado na Estação foi um sucesso, porém, a artista afirma que não houve fluxo de pessoas e inclusive precisou comprar cavaletes, o que seria o básico de qualquer espaço expositivo. 

 Os artistas acreditam que é preciso repensar os espaços. 

Os artistas visuais consideram que este local sendo um espaço expositivo abrigando inclusive uma Pinacoteca, atingiria culturalmente muito mais a população. Projetos envolvendo inclusive a história de São João, poderiam ser realizados nesse espaço. Cabe lembrar que o complexo do Centro Cultural Pagú em Santos possui inclusive uma galeria de Arte. Cabe lembrar que além de escrever, Pagú também desenhava, mostrando assim um apreço pelas artes visuais. 

Os artistas acreditam que é de suma importância espaços culturais que propiciem a continuidade da história do município. Acreditam na importância de um espaço para continuarem escrevendo a história de São João, através de ações culturais que irão ampliar cada vez mais o repertório sócio-histórico-cultural da população. Os artistas ressaltam  a importância e toda riqueza do material arquivado, considerada a memória do povo sanjoanense, porém, acreditam que toda esta riqueza material poderia ser abrigada na Cidade das Artes, pois inclusive em um vídeo no facebook apresenta o local contendo um espaço para o Arquivo Municipal. Os artistas acreditam que  o público do Arquivo seria mais os pesquisadores, uma minoria de pessoas, onde estas, poderiam dirigir-se até a Cidade das Artes para fazerem suas pesquisas, organizando no Centro Cultura Pagú, um espaço para abrigar mostras de Arte e uma Pinacoteca dos artistas visuais do município,  saindo do gancho de uma minoria para uma maioria de pessoas a serem atingidas culturalmente . Os artistas ainda ressaltam que este espaço inclusive, poderia abrigar exposições fotográficas do próprio arquivo, onde a “renovação  das mostras” seria uma constante, promovendo mais ainda cultura em nosso município, privilegiando inclusive a memória sanjoanense.  

Ao ser questionado se era necessário um prédio específico para a Sede do Arquivo Público Municipal e sobre a possibilidade de abrigar o Arquivo na Estação das Artes ou na Cidade das Artes, o Departamento de Cultura afirmou: 

O prédio da Rua Benedito Araújo foi reformado e preparado para ser a sede do Arquivo Público Municipal Matildes Rezende Lopes Salomão, que até então não tinha uma sede própria. No projeto da Estação das Artes e no projeto da Cidade das Artes não estava previsto alocar a sede do referido Arquivo. 

Segundo informações do próprio Departamento de Cultura no Projeto da Estação das Artes  e da Cidade das Artes não estava previsto alocar a sede do Arquivo, porém um vídeo publicado no facebook o local da Cidade das Artes é apresentado contendo um espaço para a Biblioteca e o Arquivo Municipal, evidenciando que há um espaço para o Arquivo na Cidade das Artes.  Porém, os artistas compreendem que se não for possível uma mudança do Arquivo, a Prefeitura deve repensar o hall do Teatro, onde deve se levar em consideração as mostras realizadas no passado que aos olhos dos artistas, sempre foram um sucesso. 

Segundo a carta dos artistas enviada ao Prefeito Vanderlei:

…“Elencamos aqui dois possíveis espaços que poderiam ser repensados, porém deixamos nas mãos da gestão pública o apontamento do local ideal, desde que o mesmo atenda à nossa principal reivindicação, a centralização”… 

“Não há fronteiras, nem limites para se promover arte e cultura! Se abrir o Teatro que seja esse o início para se repensar em abrir tudo o que for possível para a arte e para a cultura em nosso município. Em minha memória guardo uma exposição no Teatro que visitei com a escola em homenagem ao grande artista Fernando Furlanetto, um dos meus primeiros contatos com a arte.” afirma o artista plástico Lucas Zofanetti. 

Segundo o artista Maércio Mazzi, “A cultura não é feita de barracões vazios, precisa dos artistas e estes precisam ser reconhecidos, precisam do olhar das pessoas! A obra de arte sem ser vista não se realiza, o povo não se realiza, a sociedade perde a oportunidade de se engrandecer culturalmente. A Arte deve estar próxima das pessoas!” 

 “Acho importante que a população possa ter acesso à um espaço de Artes Visuais adequado e centralizado”, afirma a artista plástica Rose Salomé. 

Os artistas acreditam também na importância de se resgatar os Salões de Arte, as Bienais, as mostras coletivas, incentivando inclusive os artistas mirins do município. 

 É preciso abrir espaços e criar calendários em nossa cidade, de modo a promover anualmente vários eventos no campo das artes visuais. São João pode ser uma referência nesta linguagem artística! Temos espaços excelentes, basta reorganizar, para que a arte fique cada vez mais acessível à população. Investir em Cultura não significa simplesmente construir ou reformar prédios históricos, mas principalmente em incentivo, não somente aos artistas, mas também em aproximar a arte da população para que as pessoas passem a frequentar os espaços culturais, afirma Lucas Zofanetti.  

Se a Pagú  for um espaço expositivo e uma Pinacoteca porque não, também, o Teatro Municipal abrir suas portas para prestigiar os artistas visuais do município. Imaginem uma pessoa chegando ao Teatro para assistir uma peça e, ao chegar poder visualizar obras, como sendo um aperitivo para a apresentação que está por vir. É arte! É cultura! É preciso repensar, pois quanto mais arte no local, melhor e mais rico ele será! Quanto mais ele for surrado com Arte, mais ele irá brilhar. Caso a Pagú realmente não possa ser um espaço expositivo, reivindicamos sim o hall do Teatro como antigamente, para a promoção de mostras de Arte, afirma também Lucas Zofanetti. 

Os artistas evidenciam que querem fazer pontes com o Departamento de Cultura  de modo a acrescentar mais ainda na Cultura do município. Os artistas afirmam que há anos não há incentivo para este tipo de atividade por parte do Departamento de Cultura e que foram esquecidos pelo Departamento de Cultura e ressaltam que antigamente este cenário era mais valorizado no município. Segundo Lucas, o próprio Departamento de Cultura não soube informar a data da última mostra promovida pelo próprio Departamento. Este ano, uma mostra até chegou a ser programada no início do ano, evento cancelado por conta da pandemia, porém os artistas acreditam que quando um município é referência cultural, o evento não deixa de acontecer, pois para arte não há barreiras físicas, ela simplesmente acontece em outros formatos!  

Cabe ressaltar que os artistas consideram importantes os espaços que o Departamento de Cultura oferece, porém para determinados projetos culturais, conforme explicitado acima e acreditam na importância de um espaço centralizado de modo a movimentar mais ainda o cenário cultural de São João da Boa Vista. 

Os artistas visuais acreditam em uma reorganização nos regimentos internos dos espaços públicos culturais e aguardam uma resposta do Prefeito Vanderlei Borges de Carvalho, pois acreditam que este espaço trará mais ainda Cultura para a população de São João da Boa Vista.

Fonte: Fala São João

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