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08/06/2016 | 00:00

Arquiteta conta detalhes do tombamento do Hotel São Paulo

Jornal O Município | O Município

A edição da quarta-feira, dia 1, do O MUNICIPIO divulgou o Decreto nº 2.574, de 30 de maio, último, em que o prefeito de Águas da Prata, Samuel da Silva Binati, "determina o tombamento do imóvel conhecido como São Paulo Hotel."

De acordo com o documento, a instauração do processo de tombamento do São Paulo Hotel deu-se através do ofício 01/2013, em junho desse ano, solicitado pelo COMDEPHICN- Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico Cultural e Natural, de Águas da Prata.

Embora não seja integrante desta entidade, a arquiteta urbanista sanjoanense Paula Maria Magalhães Teixeira teve participação ativa no processo: "Fiz minha dissertação de mestrado com o tema A paisagem como elemento de sustentabilidade. O Vale do Ribeirão da Prata", ela afirma. "Este trabalho aproximou-me de pessoas preocupadas com a cidade [de Águas da Prata] e sua preservação".

Paula revela que para o tombamento destes imóveis (Hotel São Paulo e Drogaria Sant'Ana), seria necessária a realização de seus Inventários Históricos Arquitetônicos, e a orientação ao atual Conselho para a efetivação deste ato. "O que foi realizado nestes anos, voluntariamente, por um grupo que envolveu alunos meus".

De acordo com ela, a história do tombamento do São Paulo Hotel, aconteceu dois anos atrás, na inauguração da Galeria de Arte 'Boca do Leão', na Fonte Platina. "Ângela Bonfante, anfitriã daquele evento, veio falar comigo sobre sua preocupação com este ícone arquitetônico, em estado lastimável". A partir daí os esforços, fortalecidos por muitas outras mãos, "de pessoas que amam o patrimônio", culminaram no tombamento.

Os prédios tombados, ela confirma, fazem parte de um conjunto arquitetônico que caracteriza o Centro Histórico de Águas da Prata, a origem da cidade, que se deu ao longo da Estação Ferroviária.

Em parecer técnico realizado pelo CONDEPHAAT-Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo, em 2013, o patrimônio desta estância hidromineral, representa um "caso diferenciado no estado de São Paulo e raro na região da Mogiana".

FUTURO

Quais serão os próximos passos? "A continuidade dos tombamentos pelo CONDEPHICN, de forma a salvaguardar este patrimônio, conjuntamente com a colaboração e conscientização dos proprietários acerva do valor que tem em mãos", aponta Paula Magalhães Teixeira.

Ela ainda alerta que esses passos dependem de toda sociedade, "que possui a responsabilidade de preservar, valorizar e divulgar o passado desta estância hidromineral, como elemento norteador das políticas de desenvolvimento e planejamento urbano".

Paula Maria Magalhães Teixeira atualmente leciona na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Campus Poços de Caldas, e na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do UniFEOB.

"Águas da Prata uma linda cidade, que merece um futuro que faz jus ao seu valor ambiental, histórico, cultural e humano", finaliza a arquiteta.

CELEBRIDADES

A título de curiosidade, registramos ao leitor uma das justificativas presentes naquele Decreto, que informa sobre as celebridades que estiveram naquele prédio, seja como visitantes, seja como residentes.

"Considerando que este (São Paulo Hotel) abrigou e recebeu importantes personalidades e autoridades da época (déc. 1920, 1930, 1940), entre elas: como residentes do Hotel o único médico da cidade, Dr. Eduardo Lyrio e o famoso professor, sociólogo e crítico literário Antônio Cândido de Mello e Souza.

"Como visitantes, o presidente brasileiros Getúlio Vargas, os governadores paulistas Pedro de Toledo e Armando de Salles Oliveira; e os acadêmicos brasileiros Monteiro Lobato, Alberto de Oliveira e Guilherme de Almeida, entre outros."

Outro importante item do Decreto revela: "Considerando que o São Paulo Hotel presenciou acontecimentos importantes da história do Estado de São Paulo e do Brasil, transformando-se em quartel general da Coluna Romão Gomes, durante a Revolução de 1932, ficando conhecido como Palácio da Resistência Paulista".

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