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07/04/2020 | 09:54

A importância da saúde emocional para enfrentar a pandemia

Gazeta de São João | Jornalismo

Além dos aspectos de higiene e distanciamento social preconizados para conter a disseminação do coronavírus, a saúde emocional é outro aspecto que precisa ser considerado para que todos passem da melhor maneira possível por este período de confinamento. 

A psicóloga e professora da UNIFAE, Betânia Alves Veiga Dell'Agli, fala sobre o tema e dá orientações valiosas para o controle da ansiedade: “Estamos falando pouco sobre os aspectos psicológicos, que são extremamente importantes neste momento. E também precisamos lembrar que nem todas as pessoas lidam da mesma forma com a situação. Aquelas que tendem a ter uma ansiedade maior podem ficar ainda mais nervosas e apresentar falta de ar e dificuldade para dormir, por exemplo.”

É importante considerar também que, neste momento, as pessoas estão divididas em diferentes categorias, cada uma delas com ansiedades características de sua condição. “Temos as pessoas saudáveis fora do grupo de risco, as que fazem parte do grupo de risco, e aquelas que contraíram o Covid-19.”

Os indivíduos não infectados e que estão tomando todas as medidas pertinentes têm um papel fundamental na tranquilização dos demais, mas podem ficar emocionalmente sobrecarregados. “São eles que buscam informações, mantêm a comunicação com os familiares, cuidam para que a higienização seja feita adequadamente. Além disso, existe a preocupação financeira que este cenário acarreta. Tudo isso pode levar à perda de sono e aumentar a sensação de mal-estar. A ferramenta mais importante para combater essa ansiedade é reconhecer a emoção provocada pelo medo e dar-lhe a devida dimensão. O medo em si não é ruim, ele nos deixa atentos e nos protege dos perigos. O problema é quando ele se torna não adaptativo e aumenta intensamente. A ansiedade é exatamente isso, uma pré-ocupação, ou seja, um receio antecipado daquilo que nem se sabe se acontecerá. Então, reconhecer esse sentimento é necessário, e ajuda muito conversar com familiares e amigos para dissipar esta angústia.”

Para as pessoas que integram os grupos de risco, especialmente idosos com doenças pré-existentes, como diabetes, hipertensão, câncer e doenças autoimunes, a orientação da psicóloga é que sejam realistas, nem entrem em pânico nem acreditem que "isso jamais acontecerá comigo". Como orienta a Organização Mundial da Saúde, é fundamental que este grupo mantenha o isolamento social e não saia de casa para nada, sendo assessorados por um familiar ou amigo para suprir a necessidade de fazer compras de alimentos e remédios. Para evitar a contaminação, a procura por atendimento médico só deve acontecer caso seja extremamente necessário. No entanto, se vierem a apresentar qualquer sintoma de insuficiência respiratória, a ida ao hospital deve ser imediata. 

Relatos vindos de outros países, onde as taxas de infectados são bem mais altas do que as que o Brasil apresenta atualmente, mostram que aqueles que adoeceram se recuperaram mais rapidamente quando mantiveram o otimismo. “É importante lembrar de situações positivas experimentadas anteriormente em relação a doenças ou  problemas. O que estudei sobre pessoas que passaram por experiências como esta é que recordar a superação de situações ruins pode ser um divisor de águas para o enfrentamento. Em síntese, quando você trabalha seu pensamento, evita o excesso de informações desnecessárias, mantém o otimismo e o relacionamento saudável com familiares e amigos, apesar da distância social imposta pela quarentena, você se ajuda. Felizmente, a tecnologia nos permite procurar coisas saudáveis para fazer, como ocupar o pensamento com uma boa leitura ou um bom programa de TV.  Tudo isso contribui para minimizar o impacto da situação nas pessoas em geral, especialmente naquelas mais ansiosas.”, orienta Betânia.

Como a ansiedade afeta as crianças

Além dos adultos, existem também as crianças ansiosas e, neste caso, precisamos ficar ainda mais atentos e observar a forma com que estão lidando com a situação, orienta a especialista: “A criança tem grande capacidade imaginativa e pode ser que, a partir das determinações e orientações que são dadas a ela, desenvolva um receio exacerbado de perder os pais e avós ou tenha outras fantasias ruins. Então é preciso observar se essa criança está dormindo bem, se está tendo pesadelos, se apresenta um comportamento mais irritado ou retraído do que o normal. Acompanhar os aspectos psicológicos é muito importante, assim como ficar atento à forma de colocar as instruções. É muito diferente dizer com tom de reprovação e medo: “Vá lavar a mão agora! Quantas vezes eu preciso dizer?” de "Chegou a hora de lavar as mãos. Vamos lá!” Pode-se propor a atividade de forma realista, porém lúdica, usando recursos familiares ao universo infantil. Além disso, a maneira e tom de voz devem transmitir firmeza e segurança, e não medo.”

Finalizando, Betânia enfatiza que este é um período em que os pais devem ter muita paciência e, principalmente, uma escuta cuidadosa das demandas dos filhos: “Entendendo as ansiedades que manifestam é possível propor brincadeiras de faz de conta, principalmente para as crianças pequenas, criando um canal para que expressem suas angústias e possam equilibrar os aspectos emocionais.”

Fonte: Gazeta de São João

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