Mais uma vez, a União Sanjoanense de Proteção aos Animais esteve no Recinto de Exposições, conferindo o andamento do rodeio em touros e deixando claro o seu ponto de vista contrário às disputas. Segundo a presidente da entidade, a organização das provas da EAPIC teria descumprido um acórdão, fruto de uma decisão do Superior Tribunal de Justiça.
O MUNICIPIO conversou com Vera von Gossler, presidente da USPA, que afirmou que vai continuar combatendo o uso de sedém e esporas durante a prática das montarias.
O MUNICIPIO: A USPA tem trabalhado bastante em prol dos animais. Como a senhora avalia esse trabalho em 2012?
VERA: A USPA é de 1997, então são 15 anos de trabalho incansável. O principal desse ano é a campanha sobre controle populacional de cães e gatos, mas essa tarefa está bem difícil. É uma coisa muito abrangente e temos poucos voluntários capacitados. Sobram muitas tarefas para poucas pessoas, mas temos o apoio da Faculdade de Veterinária num trabalho de posse responsável e controle de natalidade. Estamos tentando também um trabalho de conscientização com as escolas, mas está muito difícil.
O MUNICIPIO: E quantas pessoas atuam na USPA hoje? É uma instituição que sobrevive só de voluntariado ou tem funcionários contratados?
VERA: Imagine se nós podemos ter funcionários contratados! Não dá. Nós sobrevivemos de pequenas doações e temos voluntários que trabalham mais em feira de adoção e acompanhamento de adoções, além de tarefas avulsas. A parte administrativa ficou só com a diretoria, que são apenas seis pessoas que fazem o planejamento.
O MUNICIPIO: Essa movimentação da USPA tem conscientizado as pessoas com relação aos casos de agressão aos animais?
VERA: É uma questão de educação, de conscientização. Precisamos mudar o pensamento do ser humano com relação aos animais. É um trabalho constante, mas não tem resultados a curto prazo, mas hoje já existe uma boa conscientização.
O MUNICIPIO: A USPA fiscaliza o uso de animais de tração entre trabalhadores autônomos, como no caso de coleta de recicláveis?
VERA: O forte da USPA não é fiscalizar, é educar. Nessa parte de animais de tração, nós temos, desde 2008, o programa SOS Pangaré, visando a conscientização do proprietário. No início, tivemos apoio da WSTA, que é uma entidade internacional, que nos concedeu cinco mil dólares que, na época, valiam cerca de R$ 8 mil. Mas é muito difícil conseguir manter todos os nossos projetos com os parcos recursos que temos.
O MUNICIPIO: EAPIC é um assunto que a USPA sempre está acompanhando. Neste ano, qual foi sua impressão a respeito da exposição e do rodeio?
VERA: A exposição eu não tenho acompanhado. Como te disse, somos poucas pessoas para muitas tarefas que recaem sobre a gente e não damos conta de tudo. Existe uma preocupação de todo o movimento de proteção animal, com o gado de produção, que a maioria das pessoas tem menos preocupação.
O MUNICIPIO: Mas com relação à exposição da EAPIC, você entende que exista algum problema?
VERA: Eu imagino que não, mas eu não acompanhei.
O MUNICIPIO: E no rodeio, você esteve por lá? Vistoriou alguma coisa? Quais as suas impressões?
VERA: Estivemos lá no rodeio e você sabe que estamos com um processo, desde 2006, a respeito do rodeio na EAPIC. Esse processo já correu e já passou por todas as instâncias, até no Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, e a USPA sempre foi vitoriosa, por unanimidade. Esse processo já transitou em julgado, já está definido, e nós estivemos no rodeio para ver se está sendo cumprido, na íntegra, o acórdão.
O MUNICIPIO: E a senhora encontrou alguma irregularidade ou os animais foram bem tratados na EAPIC?
VERA: O problema não é animal bem tratado. Agora, o que está em pauta é se o acórdão do STJ está sendo cumprido na íntegra. A gente constatou que não está sendo cumprido na íntegra. Eu não presenciei ninguém batendo em animal mas, existem coisas sendo feitas sem poder.
O MUNICIPIO: Mas os animais não estavam lesionados e nem apresentando algum problema...
VERA: Lesionados, não. Só que as determinações do acórdão não estão sendo cumpridas na íntegra. O acórdão diz taxativamente que não podem ser utilizados espora e nem sedém. E estão sendo utilizadas as duas coisas.
O MUNICIPIO: Apesar desse descumprimento, a senhora não encontrou nenhum caso gritante, em que o animal estivesse necessitando de atendimento veterinário ou algo mais grave?
VERA: Não. Mas não é “apesar desse descumprimento”. São duas coisas: uma coisa é o animal ser vítima de agressão ou algo do tipo. Outra coisa é o cumprimento do acórdão.
No entendimento da USPA, o descumprimento do acórdão já caracterizaria maus tratos e a multa prevista para o acontecimento do rodeio não seria recolhida em favor da entidade. As verbas arrecadadas em razão da punição seriam depositadas em favor do Fundo Estadual de Interesses Difusos, que financia projetos de diversas associações.
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