ASPECTOS HISTÓRICOS:
Cidade dos Crepúsculos Maravilhosos, essa é a nossa bela São João Boa Vista, fundada
em 24 de junho de 1824, por Antônio Machado de Oliveira e os cunhados Inácio Cândido e
Francisco Cândido, vindos de Itajubá, cidade de Minas Gerais, chegando à região às
vésperas do dia em que se comemorava o culto a São João Batista, o que deu origem ao
nome da cidade. Contudo, em fato da cidade ter sido iniciada nos terrenos da Fazenda Boa
Vista, de propriedade do Padre João Ramalho, recebeu assim o complemento da
Boa Vista. Antônio Machado, um dos fundadores, doou um terreno para a futura
povoação do Local, dando origem à atual São João da Boa Vista.
O principal idealizador do perfil econômico de São João da Boa Vista foi o Cônego
João Ramalho, de nacionalidade portuguesa e que chegou ao Brasil no ano de 1800.
Foi o Cônego quem projetou a localidade de São João da Boa Vista, depois de um contato
com o lavrador Antônio Machado, que doou o terreno para o nascimento da cidade. O projeto
de João Ramalho era irradiar o progresso para toda a região a partir de São João da
Boa Vista, explorando atividades agro-pecuárias, industriais e rurais como monjolos,
moinhos, engenhos de serra e de cana-de-açúcar.
A partir do início dessas atividades, outras proliferaram, dando origem ao comércio
local para a venda dos produtos que eram produzidos nas lavouras. A primeira missa
celebrada na cidade foi em 24 de junho de 1824, sendo que, no mesmo ano, houve a
realização da primeira eleição para escolha do Administrador da Freguesia, em
Assembléia Paroquial, na qual foi escolhido o Padre João José Vieira Ramalho, que
morava em Mogi-Mirim.
Já na Segunda Assembléia, 22 anos após, em 1846, o Padre João Ramalho novamente
obteve a maioria dos votos, prosseguindo assim o seu trabalho pela cidade, dividindo em
quarteirões e fazendo a distribuição de terras, provocando uma revolta nos moradores da
região norte, onde se localiza a Capelinha, sendo que este descontentamento aumentou
quando planejavam a construção da Igreja Matriz, início de 1848. Após cinco anos, em
1853, foi inaugurada a Igreja Matriz, onde foi realizada uma missa solene, celebrada pelo
Padre João Ramalho que, no meio da celebração, caiu desfalecido e morreu.
Cônego João Ramalho projetou a localidade para ser o ponto de irradiação do
progresso para todo o território a ser explorado e aproveitado com culturas, pastagens,
indústrias rurais, tais como monjolos, moinhos, engenhos de serra e de cana, de que
necessitam as propriedades agrícolas.
Para transporte e cargas, eram usados os muares e cavalos e os carros de boi, as caleças,
liteiras ou banguês, em grandes fazendas. Os troles somente apareceram bem mais tarde.
Entretanto, mesmo sem melhoramentos públicos, que a municipalidade não podia executar
por não ter recursos e nem rendas para enfrentá-los, e que dependiam ainda de
consignação de verba do orçamento anual e de aprovação da Assembléia Provincial, a
Vila e o Município iam progredindo, graças à exuberância de suas terras, intensamente
procuras para lavoura de café, cana-de-açúcar, fumo e cereais.
Em 24 de abril de 1880, São João recebe a emancipação política e é elevada a
Município. Nessa época, o município compreendia as vilas de Aguaí, Águas da Prata e
Vargem Grande do Sul que, com o passar do tempo, também foram se emancipando.
Os melhoramentos esperados pela população de então, que iriam dar um grande impulso ao
desenvolvimento industrial, comercial e agrícola, eram a inauguração oficial e o
início do Tráfego Ferroviário da Companhia Mogiana, bem como o funcionamento de suas
estações em Cascavel, em São João e na Prata.
Com a instalação da estrada de ferro Mogiana no Município, a exportação de produtos
agrícolas tornou-se mais intensa, sendo de maior vulto a do café, vindos depois a
aguardente, o açúcar, o fumo, o toicinho, batata, cereais, tijolos e telhas, madeiras,
queijo, gado para o corte e outros pequenos produtos.
Existiam em São João, em 1889, por volta de 25 máquinas de café, 30 engenhos de cana,
diversas serrarias e olarias.
A população do Município era de 16.000 habitantes, mais ou menos, sendo que cerca de
3.000 habitavam a cidade, que contava com aproximadamente 450 casas.
A lavoura sempre foi um setor de grande êxito no município pela fertilidade do solo,
abundância de água e clima ameno. Por essas características, o núcleo foi-se
desenvolvendo como centro de atividades, para suprir as diversas necessidades da vida
civil e a comercialização dos produtos originários da região.
Em relação a outros produtos e utensílios como roupas, equipamentos, etc, a cidade
ainda não oferecia condições de manter um estoque na localidade, dependendo do
fornecimento de centros mais desenvolvidos. |