LOCALIZAÇÃO:

O município está localizado na região polarizada por Campinas. Ocupa a posição leste, dentro do Estado de São Paulo, não longe da divisa do Estado de Minas Gerais.

Dista 175 km em linha reta da capital do Estado de São Paulo.

As terras do município estão na região cristalina da Serra da Mantiqueira (Região geomorfológica de Lindóia e Serra Negra) e próximas à linha de contato com a região sedimentar (Depressão Periférica), que estão a oeste do município, em direção a Aguaí.

LIMITES DO MUNICÍPIO:

- Norte e Noroeste - Vargem Grande do Sul
- Sul - Espírito Sto do Pinhal e Sto Ant.Jardim
-
Leste - Águas da Prata
- Sudoeste - Aguaí
- Sudeste - Andradas (MG)

       

TOPOGRAFIA:

A cidade, sede do município, ocupa as primeiras colinas dessa área, que, se elevam, gradativamente, até o rebordo do também chamado de planalto de Poços de Caldas

As colinas da parte urbana possuem altitudes de 730 metros, em média. Este sítio urbano, acidentado, explica a irregular malha urbana de São João da Boa Vista: algumas ruas, em ladeiras, não retilíneas, sem saídas ou praças parcialmente fechadas (Joaquim José).

Tudo isto oferece ao habitante paisagens belíssimas, mesmo estando em meio aos edifícios. Para leste, pode se ver a belíssima serra, localmente denominada, da Fartura, Caracol ou Boa Vista e para o oeste, os horizontes são mais amplos e abertos, possibilitando assistir ao colorido "pôr do sol", de beleza ímpar, nos meses de abril e maio. A cidade faz jus ao "slogan" - "Cidade dos Crepúsculos Maravilhosos".

CLIMA:

O clima é tropical quente. Os invernos não são rigorosos. Os dias são quentes, no verão, mas, a brisa agradável das noites refresca as madrugadas.

Junto às serras, que funcionam como barreiras interceptoras das massas de ar, que participam da formação do clima do Estado de São Paulo, há descarregamento maior da umidade, em forma de chuvas orográficas. Muitas vezes fortes e copiosas. A pluviosidade está em 1.140 mm anuais e as chuvas se concentram nos meses mais quentes, a partir de outubro. Não há no município um posto meteorológico com funcionamento pleno. Os mais próximos são os de Casa Branca e de Mococa. Assim os dados sobre a temperatura do ar podem ser estimados aproximadamente em: média 28ºC, máxima 34ºC, mínima C. Média no verão: 22ºC e média no inverno: 18ºC.

Há um vento local que sopra do leste ou às vezes do sudeste ao qual os habitantes de São João da Boa Vista dão o nome de: "Boqueirão do Prata".

A história registrou geadas fortes causadoras de grandes prejuízos ao café. Citamos as de 1870, 1886, 1902 e 1918. As geadas podem ocorrer em junho e julho, mas são fenômenos não habituais.

VEGETAÇÃO E OCUPAÇÃO DO SOLO:

A vegetação original já foi praticamente devastada. Dominava a mata tropical, com boas madeiras de lei.

A prática da agricultura e, de modo especial, a do café, colocou fim à parte florestada. Hoje, temos apenas pequenos vestígios desta mata, em grotões íngremes ou protegendo as nascentes ou minas d'água.

Na parte oeste do município, encontramos o início dos campos cerrados, com vegetação rasteira e arbustos retorcidos e de casca grossa. Hoje, já não existem mais. O solo, que era considerado improdutivo, foi corrigido pelas novas técnicas e esta área se tornou a melhor para a agricultura, pois é fácil a mecanização da lavoura, que aí se instalou.

Já a área cristalina das serras, importante no início do café, tem terras cansadas pela agricultura tradicional e vítima da erosão, por causa dos acentuados declives. Hoje essa terras são ocupadas, principalmente, por pastagens e, em algumas áreas, a batata inglesa tem sido cultivada com sucesso.

SOLOS:

Dominam no município os solos: Podzólico Vermelho Amarelo - Orto (57%) - Este solo ocorre na área cristalina. É ácido e medianamente ácido. O relevo é o principal fator restritivo ao uso deste solo, seguido pela erosão, geralmente decorrente daquele fator e pela fertilidade. O manejo desse solo requer práticas agrícolas cuidadosas. É solo indicado para culturas permanentes, pastagens e florestamentos.

 

Vem, em seguida, o solo Latosol Vermelho Amarelo-Orto, ocupando 24,6% da área do município.
Também é solo formado a partir do Complexo Cristalino da região serrana, ocupando a área das meias encostas das serra e relevo ondulado.

Apesar de ser solo fisicamente bom, não havendo nesse particular nenhuma restrição ao uso agrícola, pois é solo profundo e com boa capacidade de retenção de água, não se presta na maioria dos casos, à culturas anuais, devido à declividade acentuada, sendo, portanto, mais indicado ao uso com culturas permanentes e, ainda, pastos e reflorestamentos.

Convém salientar, entretanto, que nas áreas menos declivosas, o uso intensivo deste solo, com culturas anuais, se torna possível.

Ocupando menores áreas Seguem:
Latosol Roxo (LR) - 10,8% de área, Litosol fase substrato granito-gnaisse (ligr) - 6,4% de área e os Solos Hidromórficos (encharcados) (HI) - 1,2%.


HIDROGRAFIA:

O principal rio é o Jaguari-Mirim, sempre presente na história, na vida e na geografia de São João da Boa Vista. Com um cortejo de afluentes, constitui uma grande bacia fluvial, a drenar terras, não só de nosso, como de outros municípios.

O rio Jaguari-Mirim nasce no Estado de Minas Gerais, precisamente no Morro do Serrote, município de Ibitiura de Minas. Toma a direção Leste-Oeste e, ao entrar no solo paulista, através de Santo Antonio do Jardim, inflete de sudeste para noroeste, atravessando o município, banhando a cidade de São João da Boa Vista. Ao atingir as terra de Vargem Grande do Sul, muda seu rumo novamente, bruscamente, para o sul, servindo como fronteira municipal entre Vargem Grande do Sul e São João da Boa Vista. Caminha serpenteando as terras de Aguaí, para ser mais um tributário do Rio.

O alto curso do Jaguari-Mirim apresenta muitas quedas ou corredeiras, pois as rochas cristalinas afloram ao longo de sua calha. É um rio de planalto. No entanto, apresenta belos exemplos de meandros, principalmente ao atravessar o município de São João da Boa Vista. A geomorfologia dá a este s meandros o nome de "meandros encaixados" e são diferentes dos meandros típicos dos rios de planícies, que possuem aspectos e origens diferentes.

Dentro do município de São João da Boa Vista, segundo estudos e medidas realizadas pelo engenheiro Dr.Paulo Sandevile, encontramos as cachoeiras ou desníveis do Rio Jaguari-Mirim. São os seguintes: Paradouro (17 metros), Dourado (20 metros), Tavares (5 metros), Cachoeira Dona Laura (15 metros), Lagoa Formosa (5 metros) e Ferreira (5 metros). Estas quedas possibilitaram a produção de toda energia elétrica consumida por São João da Boa Vista, em um certo período. Novos estudos estão sendo feitos para que elas voltem a produzir unidades geradoras modernas.

Os principais afluentes do Jaguari-Mirim, neste município, são: da margem direita - O Ribeirão do Prata e o Córrego São João, ambos fazendo parte da paisagem urbana da cidade. Já pela margem esquerda, vêm as águas do Ribeirão dos Porcos.

Junto ao Córrego São João, surgiu a cidade de São João da Boa Vista e a sua confluência com o Jaguari-Mirim ocorre perto da ponte, junto à antiga FIATECE. É aí o nível de base da cidade, ou melhor, a sua parte mais baixa. O local oferece um bela vista do Jaguari-Mirim e pode-se ouvir, nas vazantes, o seu som típico, que é o embate de suas águas contra as pedras, que afloram no fundo de seu leito.

Muitas olarias e portos de extração de areia surgiram ao longo das margens do Jaguari-Mirim.

Praticamente, com este material, a cidade de São João da Boa Vista construiu suas casa e prédios. A população tem usado suas águas para o abastecimento da cidade (SABESP) e fazendo a pesca que já foi, infelizmente, bem maior no passado. Também suas margens e pequenas ilhas serviam, no passado, de aprazíveis locais para lazer, convescotes e mergulhos para os jovens mais afoitos. Apenas alguns locais ainda são usados para natação pelas crianças e jovens de famílias mais humildes. É o caso do "Areião" ou da ponte que dá acesso à Vila Operária. Lamentavelmente alguns óbitos são registrados por afogamento nestes e noutros lugares. Não podemos deixar de registrar o uso de suas águas para a irrigação da lavoura.

Hoje, o Rio Jaguari-Mirim e seus afluentes pedem socorro. O rio, que fez surgir a cidade, agora está sendo poluído e destruído pela própria cidade, para a qual tanto representa.

Para salvar a Bacia do Jaguari-Mirim, foi organizada uma entidade governamental, o "Ciprejim"- Consórcio de Preservação do Jaguari-Mirim. Fazem parte todos os municípios drenados por esta bacia fluvial: São João da Boa Vista, Espírito Santo do Pinhal, Santo Antônio do Jardim, Aguaí, Vargem Grande do Sul, Pirassununga, Casa Branca, Santa Cruz das Palmeiras, Águas da Prata, em São Paulo e Andradas e Ibitiura de Minas, em Minas Gerais. A ação deste consórcio tem lutado para preservar o Jaguari-Mirim, principalmente cuidando para que a floresta - galeria ou mata-ciliar seja refeita, onde o desmatamento predatório a eliminou.

A entidade tem mantido um viveiro de mudas das espécies florestais ribeirinhas, típicas da região, e os municípios do consórcio iniciaram um reflorestamento que, embora tardio, está sendo apoiado pelos ambientalistas e entidades ligadas à ecologia.

Outros problemas exigem solução imediata: assoreamento de seu leito e poluição de suas águas.

A Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo está investindo alto para tratar o esgoto, que é despejado, hoje, no Jaguari-Mirim. Urge realizar um controle da extração da areia. Esta ação desordenada coloca em risco a preservação ambiental.

Dentro da hidrografia da região, não poderia ser esquecido o Rio Itupeva, tributário do Jaguari Mirim, no Município de Aguaí. Ele é citado em documentos nas origens de São João da Boa Vista, pois nele começava a Grande SesMaria, dentro da qual, surgiu São João da Boa Vista.

CURIOSIDADES:

a) O nome Jaguari-Mirim vem do tupi-guarani. Segundo o prof. Dr. Plinio Airosa significa: Jaguari - "rio da onça ou rio do cão", Isto é, onde a onça (ou o cão) bebe água. Mirim - rio pequeno. Grande só o Guaçu.

b) O rio Jaguari-Mirim é tão emblemático para São João da Boa Vista figurando, por isto, em nossa bandeira. É o "listrão" de prata na parte inferior de nossa flâmula atravessando-a por completo simbolizando que faz o rio em terras são-joanenses.

GENERALIDADES:

a) Forma aproximada do município - Pentágono.
b) Localização da cidade dentro do município - centro-leste.
c) Coordenadas geográficas da sede do município :
- 21º 58' de latitude sul
- 46º 48' de longitude W. Gr.
d) Altitude do Marco Zero do Município - 729 metros.
e) Área 500 km2
f) Desnível aproximado - Corte L - W - 1000 metros.
g) Pico mais alto - Mirante com 1663 metros.
h) Fuso Horário - São João da Boa Vista está no 3º fuso horário a oeste de Greenwich; portanto tem 3 horas atrasadas com relação ao fuso inicial (Gr).
i) Municípios desmembrados de São João da Boa Vista: Vargem Grande do Sul, Aguaí, e Águas da Prata.


Texto elaborado pelo Prof. João Batista Scannapieco