TOPOGRAFIA:
A cidade, sede do
município, ocupa as primeiras colinas dessa área, que, se elevam, gradativamente, até o
rebordo do também chamado de planalto de Poços de Caldas
As
colinas da parte urbana possuem altitudes de 730 metros, em média. Este sítio urbano,
acidentado, explica a irregular malha urbana de São João da Boa Vista: algumas ruas, em
ladeiras, não retilíneas, sem saídas ou praças parcialmente fechadas (Joaquim José).
Tudo isto oferece
ao habitante paisagens belíssimas, mesmo estando em meio aos edifícios. Para leste, pode
se ver a belíssima serra, localmente denominada, da Fartura, Caracol ou Boa Vista e para
o oeste, os horizontes são mais amplos e abertos, possibilitando assistir ao colorido
"pôr do sol", de beleza ímpar, nos meses de abril e maio. A cidade faz jus ao
"slogan" - "Cidade dos Crepúsculos Maravilhosos".
CLIMA:
O clima é
tropical quente. Os invernos não são rigorosos. Os dias são quentes, no verão, mas, a
brisa agradável das noites refresca as madrugadas.
Junto às serras, que funcionam como
barreiras interceptoras das massas de ar, que participam da formação do clima do Estado
de São Paulo, há descarregamento maior da umidade, em forma de chuvas orográficas. Muitas
vezes fortes e copiosas. A pluviosidade está em 1.140 mm anuais e as chuvas se concentram
nos meses mais quentes, a partir de outubro. Não há no município um posto meteorológico com
funcionamento pleno. Os mais próximos são os de Casa Branca e de Mococa. Assim os dados
sobre a temperatura do ar podem ser estimados aproximadamente em: média 28ºC, máxima
34ºC, mínima 5ºC. Média no verão: 22ºC e
média no inverno: 18ºC.
Há um vento local que sopra do leste ou às vezes do sudeste ao qual os habitantes de
São João da Boa Vista dão o nome de: "Boqueirão do Prata".
A história
registrou geadas fortes causadoras de grandes prejuízos ao café. Citamos as de 1870,
1886, 1902 e 1918. As geadas podem ocorrer em junho e julho, mas são fenômenos não
habituais.
VEGETAÇÃO E OCUPAÇÃO DO SOLO:
A vegetação
original já foi praticamente devastada. Dominava a mata tropical, com boas madeiras de
lei.
A prática da
agricultura e, de modo especial, a do café, colocou fim à parte florestada. Hoje, temos
apenas pequenos vestígios desta mata, em grotões íngremes ou protegendo as nascentes ou
minas d'água.
Na parte oeste do
município, encontramos o início dos campos cerrados, com vegetação rasteira e arbustos
retorcidos e de casca grossa. Hoje, já não existem mais. O solo, que era considerado
improdutivo, foi corrigido pelas novas técnicas e esta área se tornou a melhor para a
agricultura, pois é fácil a mecanização da lavoura, que aí se instalou.
Já a área cristalina das serras,
importante no início do café, tem terras cansadas pela agricultura tradicional e vítima
da erosão, por causa dos acentuados declives. Hoje essa terras são ocupadas,
principalmente, por pastagens e, em algumas áreas, a batata inglesa tem sido cultivada
com sucesso.
SOLOS:
Dominam no município os
solos: Podzólico Vermelho Amarelo - Orto (57%) - Este solo ocorre na área cristalina. É
ácido e medianamente ácido. O relevo é o principal fator restritivo ao uso deste solo,
seguido pela erosão, geralmente decorrente daquele fator e pela fertilidade. O manejo
desse solo requer práticas agrícolas cuidadosas. É solo indicado para culturas
permanentes, pastagens e florestamentos. |
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Vem,
em seguida, o solo Latosol Vermelho Amarelo-Orto, ocupando 24,6% da área do município.
Também é solo formado a partir do
Complexo Cristalino da região serrana, ocupando a área das meias encostas das serra e
relevo ondulado.
Apesar de ser solo
fisicamente bom, não havendo nesse particular nenhuma restrição ao uso agrícola, pois
é solo profundo e com boa capacidade de retenção de água, não se presta na maioria
dos casos, à culturas anuais, devido à declividade acentuada, sendo, portanto, mais
indicado ao uso com culturas permanentes e, ainda, pastos e reflorestamentos.
Convém salientar,
entretanto, que nas áreas menos declivosas, o uso intensivo deste solo, com culturas
anuais, se torna possível.
Ocupando menores áreas Seguem:
Latosol Roxo (LR) - 10,8% de área,
Litosol fase substrato granito-gnaisse (ligr) - 6,4% de área e os Solos
Hidromórficos (encharcados) (HI) - 1,2%. |
HIDROGRAFIA:
O principal
rio é o Jaguari-Mirim, sempre presente na história, na vida e na geografia de São João
da Boa Vista. Com um cortejo de afluentes, constitui uma grande bacia fluvial, a drenar
terras, não só de nosso, como de outros municípios.

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O rio
Jaguari-Mirim nasce no Estado de Minas Gerais, precisamente no Morro do Serrote,
município de Ibitiura de Minas. Toma a direção Leste-Oeste e, ao entrar no solo
paulista, através de Santo Antonio do Jardim, inflete de sudeste para noroeste,
atravessando o município, banhando a cidade de São João da Boa Vista. Ao atingir as
terra de Vargem Grande do Sul, muda seu rumo novamente, bruscamente, para o sul, servindo
como fronteira municipal entre Vargem Grande do Sul e São João da Boa Vista. Caminha
serpenteando as terras de Aguaí, para ser mais um tributário do Rio. |
O alto curso do Jaguari-Mirim apresenta muitas quedas
ou corredeiras, pois as rochas cristalinas afloram ao longo de sua calha. É um rio de
planalto. No entanto, apresenta belos exemplos de meandros, principalmente ao atravessar o
município de São João da Boa Vista. A geomorfologia dá a este s meandros o nome de
"meandros encaixados" e são diferentes dos meandros típicos dos rios de
planícies, que possuem aspectos e origens diferentes.
Dentro do
município de São João da Boa Vista, segundo estudos e medidas realizadas pelo
engenheiro Dr.Paulo Sandevile, encontramos as cachoeiras ou desníveis do Rio
Jaguari-Mirim. São os seguintes: Paradouro (17 metros), Dourado (20 metros), Tavares (5
metros), Cachoeira Dona Laura (15 metros), Lagoa Formosa (5 metros) e Ferreira (5 metros).
Estas quedas possibilitaram a produção de toda energia elétrica consumida por São
João da Boa Vista, em um certo período. Novos estudos estão sendo feitos para que elas
voltem a produzir unidades geradoras modernas.
Os principais
afluentes do Jaguari-Mirim, neste município, são: da margem direita - O Ribeirão do
Prata e o Córrego São João, ambos fazendo parte da paisagem urbana da cidade. Já pela
margem esquerda, vêm as águas do Ribeirão dos Porcos.
Junto ao Córrego
São João, surgiu a cidade de São João da Boa Vista e a sua confluência com o
Jaguari-Mirim ocorre perto da ponte, junto à antiga FIATECE. É aí o nível de base da
cidade, ou melhor, a sua parte mais baixa. O local oferece um bela vista do Jaguari-Mirim
e pode-se ouvir, nas vazantes, o seu som típico, que é o embate de suas águas contra as
pedras, que afloram no fundo de seu leito.
Muitas olarias e
portos de extração de areia surgiram ao longo das margens do Jaguari-Mirim.
Praticamente, com
este material, a cidade de São João da Boa Vista construiu suas casa e prédios. A
população tem usado suas águas para o abastecimento da cidade (SABESP) e fazendo a
pesca que já foi, infelizmente, bem maior no passado. Também suas margens e pequenas
ilhas serviam, no passado, de aprazíveis locais para lazer, convescotes e mergulhos para
os jovens mais afoitos. Apenas alguns locais ainda são usados para natação pelas
crianças e jovens de famílias mais humildes. É o caso do "Areião" ou da
ponte que dá acesso à Vila Operária. Lamentavelmente alguns óbitos são registrados
por afogamento nestes e noutros lugares. Não podemos deixar de registrar o uso de suas
águas para a irrigação da lavoura.
Hoje, o Rio
Jaguari-Mirim e seus afluentes pedem socorro. O rio, que fez surgir a cidade, agora está
sendo poluído e destruído pela própria cidade, para a qual tanto representa.
Para salvar
a Bacia do Jaguari-Mirim, foi organizada uma entidade governamental, o
"Ciprejim"- Consórcio de Preservação do Jaguari-Mirim. Fazem parte todos os
municípios drenados por esta bacia fluvial: São João da Boa Vista, Espírito Santo do
Pinhal, Santo Antônio do
Jardim, Aguaí, Vargem Grande do Sul, Pirassununga, Casa Branca, Santa Cruz das Palmeiras,
Águas da Prata, em São Paulo e Andradas e Ibitiura de Minas, em Minas Gerais. A ação
deste consórcio tem lutado para preservar o Jaguari-Mirim, principalmente cuidando para
que a floresta - galeria ou mata-ciliar seja refeita, onde o desmatamento predatório a
eliminou.
A entidade
tem mantido um viveiro de mudas das espécies florestais ribeirinhas, típicas da região, e os municípios do
consórcio iniciaram um reflorestamento que, embora tardio, está sendo apoiado pelos
ambientalistas e entidades ligadas à ecologia.
Outros problemas
exigem solução imediata: assoreamento de seu leito e poluição de suas águas.
A Companhia de
Saneamento do Estado de São Paulo está investindo alto para tratar o esgoto, que é
despejado, hoje, no Jaguari-Mirim. Urge realizar um controle da extração da areia. Esta
ação desordenada coloca em risco a preservação ambiental.
Dentro da
hidrografia da região, não poderia ser esquecido o Rio Itupeva, tributário do Jaguari
Mirim, no Município de Aguaí. Ele é citado em documentos nas origens de São João da
Boa Vista, pois nele começava a Grande SesMaria, dentro da qual, surgiu São João da Boa
Vista.
CURIOSIDADES:
a) O nome Jaguari-Mirim vem do tupi-guarani.
Segundo o prof. Dr. Plinio Airosa significa: Jaguari - "rio da onça ou rio do
cão", Isto é, onde a onça (ou o cão) bebe água. Mirim - rio pequeno. Grande só
o Guaçu.
b) O rio Jaguari-Mirim é tão
emblemático para São João da Boa Vista figurando, por isto, em
nossa bandeira. É o "listrão" de prata na parte inferior de nossa flâmula
atravessando-a por completo simbolizando que faz o rio em terras são-joanenses.
GENERALIDADES:
a) Forma aproximada
do município - Pentágono.
b) Localização da cidade dentro do
município - centro-leste.
c) Coordenadas geográficas da sede
do município :
- 21º 58' de latitude sul
- 46º 48' de longitude W. Gr.
d) Altitude do Marco Zero do
Município - 729 metros.
e) Área 500 km2
f) Desnível aproximado - Corte L - W
- 1000 metros.
g) Pico mais alto - Mirante com 1663
metros.
h) Fuso Horário - São João da Boa
Vista está no 3º fuso horário a oeste de Greenwich; portanto tem 3 horas atrasadas com
relação ao fuso inicial (Gr).
i) Municípios desmembrados de São
João da Boa Vista: Vargem Grande do Sul, Aguaí, e Águas da Prata.
Texto elaborado pelo Prof. João Batista Scannapieco
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