COMÉRCIO

O comércio representa, dentro do setor terciário, uma das atividades mais desenvolvidas do município, como se pode checar através da participação do ICMS nas receitas municipais. Nesse segmento São João constitui-se em um centro regional de compras.
 
PESQUISA  COMÉRCIO


Realizada nos meses de fevereiro a março de 1998, por amostragem, a pesquisa consultou 250 empresários. A metodologia utilizada foi a de visitas individuais, sendo aplicado o método quantitativo probabilístico, com perguntas do tipo aberta e fechada.


As instituições pesquisadas são na quase totalidade microempresas(88%) ou pequenas empresas(10%). Apenas 2% são médias ou grandes empresas. Quanto à sua fundação, 24% das empresas pesquisadas surgiram após 1996. Entre 91 e 95, nasceram 31% das empresas pesquisadas e 21% entre 81 e 90. Apenas 5% delas foram criadas entre 76 e 80, enquanto 11% surgiram entre 59 e 75. Entre 17 e 58, nasceram 8% das empresas comerciais entrevistadas.

As empresas pesquisadas tiveram sua formação, em 39% dos casos, ligada ao empreendedorismo de seus atuais proprietários. Para 34% da amostra, a experiência anterior é a base de formação do negócio e 25% das empresas têm origem familiar.  


A pesquisa quanto à escolaridade mostra elevado grau de instrução: 76% deles chegaram ao segundo grau(4% segundo grau incompleto, 26% segundo grau completo, 11% superior incompleto e 35% superior completo).


 O comércio local busca seus estoques junto aos próprios fabricantes ou  produtores e, uma parte menor, junto a intermediários. Os produtos comercializados vêm, em sua maioria – em torno de 88% - de outros municípios, dos quais 24% são adquiridos junto a fabricantes/produtores de outros estados. Apenas 6% dos estabelecimentos comerciais se abastecem junto a fornecedores estrangeiros.


Quanto ao costume de consumidores de outros municípios efetuarem suas compras em seus estabelecimentos comerciais, 87% dos entrevistados responderam afirmativamente, comprovando a vocação regional do segmento comercial de São João da Boa Vista.

Numa comparação direta com a própria concorrência municipal ou regional, 48% dos empresários afirmaram que seus negócios estão em expansão e outros 44% responderam estar em estagnação. Apenas 8% dos entrevistados informaram estar em retração em relação à concorrência.


Para estes entrevistados, sua principal concorrência está instalada dentro do próprio município(91% das citações) e o motivo é o grande número de lojas (36% das citações), preços praticados(26%) e a concorrência desleal(13%).


Entre os principais problemas enfrentados pelos empresários do comércio, receberam destaque baixo volume de vendas/faturamento, elevada carga tributária, baixo poder aquisitivo da população e elevação dos custos financeiros/juros.
 
Quanto à realização habitual de promoções ou ofertas, 71% dos comerciantes afirmaram praticar este instrumento de vendas. Deste total, 80% costuma divulgá-las e 20% não. Os meios de comunicação mais utilizados para esta divulgação são o rádio(40% das citações), cartazes de rua(24%), mala direta(14%), alto falante(13%) e TV(8%).


O treinamento de pessoal é uma prática para menos da metade das empresas entrevistadas(42%),  sendo que deste número, 55% o realiza no próprio trabalho, 10% na empresa mas fora do processo de trabalho, 16% por clientes/fornecedores e apenas 19% através de instituições especializadas.


Do ponto de vista da ação associativista, apenas 47% das empresas entrevistadas estão filiadas a alguma associação, mesmo com 82% dos entrevistados afirmando conhecerem uma delas no município.


Em relação ao crescimento do município, as respostas sobre o que poderia estimulá-lo tiveram maior frequência na necessidade de mais indústrias/empregos e realização de cursos profissionalizantes. Receberam também um índice percentual de respostas a melhoria da saúde pública, o fomento ao turismo e a abertura de mais cursos superiores.

Dificuldades e necessidades do Setor


Alguns fatores podem ser analisados a partir dos resultados da pesquisa:
 
·         ¼ das empresas comerciais atuais do município surgiram nos últimos três anos comprovando o nível de desenvolvimento do setor;
·         O fato de 87% dos comerciantes terem, habitualmente, entre seus consumidores cliente de outros municípios comprova a vocação regional do setor em São João da Boa Vista;
·         A maior parte dos problemas enfrentados pelos comerciantes do município está relacionada à situação atual do país que, tendo em desenvolvimento um plano de estabilização econômica, primeiramente impõe às atividades econômicas, no geral, um processo de adaptação a uma nova realidade, caracterizada por altos custos financeiros e de retração de vendas, pela redução da massa monetária em circulação e a consequente redução do poder aquisitivo da população;
·         A descrição acima exige, por parte dos comerciantes, uma nova política de estoques, exigindo cuidados especiais com os investimentos nesta área;
·         A resposta mostrando que o baixo volume de vendas/faturamento é o principal problema dos empresários comerciais pode sofrer influência da sazonalidade natural do segmento no primeiro bimestre do ano, uma vez que as entrevistas se iniciaram em 15 de fevereiro.
·         As respostas quanto a mão-de-obra especializada e a necessidade de cursos profissionalizantes são contraditórias. Enquanto a primeira é irrelevante do ponto de vista dos principais problemas enfrentados pelos comerciantes locais, a segunda é apontada como fator importante para estimular o crescimento do município. Independente desta contradição, a qualificação tende a ter solução rápida, considerada a disposição da administração municipal em desenvolver  em parceria com entidades estaduais e nacionais cursos de especialização em diversos segmentos. Isso já vem ocorrendo com a utilização de recursos do FAT – Fundo de Atendimento ao Trabalhador, em diversos cursos de informática, que estão em andamento com apoio da Faculdade de Administração e Economia –FAE e com o curso “Jovens Empreendedores” fruto da parceria entre a Prefeitura Municipal, o Sebrae-SP e a FAE.
·         O baixo índice de empresas filiadas a alguma associação demonstra apatia ao cooperativismo ou associativismo;
·         Embora os empresários comerciais reclamem do grande número de lojas instaladas no município, isso favorece, e muito, o consumidor que experimenta maior gama de opções para suas escolhas, no que se refere os preços e condições de comercialização de mercadorias. Acaba sendo, portanto, um detalhe positivo para o desenvolvimento do setor.


Os subsídios adequados que poderiam promover o desenvolvimento e/ou o crescimento do setor comércio/prestador de serviços são: créditos/financiamentos; cursos; eventos; promoções e sorteios.