| É possível que os índios
Caiapós e Catuás tenham coabitado em nossa região, não em grande número pela escassez
de caça, segundo um relato ao governador (1765), feito pelo capitão Inácio da Silva
Costa, primeiro comandante do Descoberto do Rio Pardo.
Em dezembro de 1868, a pedido de Antônio Marçal Nogueira de Barros, a Câmara
Capitular de São Paulo concedeu licença para se benzer, na forma do Ritual Romano,
depois de cercado, o cemitério do bairro de São José do Rio Pardo, Distrito da
Freguesia do Espírito Santo do Rio do Peixe.
O velho jornalista Paschoal Artese, na sua Resenha de 1965, batalhava para que
o centenário de São José do Rio Pardo fosse comemorado naquele ano, depois de
transcrever a ata da primeira reunião de um grupo de fazendeiros, registrada em 4 de
abril de 1865 no Livro de Reuniões dos Fundadores da Capela de São José, encontrado na
fazenda Tubaca. Artese não foi ouvido. No império a Igreja estava intimamente
ligada ao Estado. A Capela, para a população, além de representar a assistência
religiosa ao lugarejo, era a esperança de autonomia política, que adviria com a
Freguesia.
Livro encontrado na Fazenda Tubaca, documenta a fundação da Capela de São José
do Rio Pardo, em 4 de abril de 1865, quando alguns fazendeiros se reuniram, traçando os
planos para edificar a capela, primeira etapa para a criação da futura Freguesia.
A 30 de maio de 1873, o Vigário Capitular do Bispado de São Paulo assinou
documento autorizando bênção e celebração da missa e dos demais ofícios divinos na
Capela de São José do Rio Pardo, filial da Matriz do Espírito Santo do Rio do Peixe. A
primeira missa só foi celebrada em 19/03/1874.
A Capela Curada de São José foi elevada à categoria de Freguesia em 14 de abril
de 1880, pela Lei nº 70, da Assembléia Provincial. São José do Rio Pardo, desanexou-se
da Vila de Caconde, passando à de Casa Branca, constituindo-se em Paróquia, confirmada
pelo Bispo de São Paulo, em 1º de fevereiro de 1881.
Pela Lei nº 49, de 20 de março de 1885, a Freguesia foi elevada à categoria de
Vila, vinte anos depois daquela primeira reunião dos fundadores. Mas outra lei
determinava que sem o edifício da Casa de Câmara e Cadeia, construído às expensas dos
respectivos povos, a Vila não poderia ser instalada.
Com o movimento abolicionista e a decadência da mão-de-obra escrava, novos
personagens aqui aportaram, trazendo um novo calor de vida à cidade: os imigrantes, que
trabalharam racionalmente nos cafezais, ampliando, também, o quadro urbano.
Os imigrantes desenvolveram a cidade, com um novo comércio; pequenas fábricas; oficinas
de fundo de quintal; casas bancárias, de câmbio e descontos; restaurantes, pousadas...
Movimentaram a vida cultural com suas sociedades, festas, escolas, concertos e sessões
literárias, imprensa, manifestações políticas...
Graças ao café, a base da economia brasileira, nossa vida urbana já estava
formada. Em são José, o café florescia, excelente, apreciado, procurado,precisando de
fácil escoamento. Foi quando um grupo de arrojados agricultores, liderados por José da
Costa Machado e Souza, criou o Ramal Férreo do Rio Pardo, inaugurado em 1887, com a
chegada do primeiro trem,e, no ano seguinte, transferido à Companhia Mogiana.
Chegou 1889, o ano da Proclamação da República. Um acontecimento político,
ocorrido em 11 de agosto, três meses antes da Proclamação, ressoou, projetando
nacionalmente a Vila de São José do Rio
Pardo. O episódio teve seu prelúdio em junho, quando membros da Sociedade Italiana XX de
Setembro, infiltrada de republicanos, depois de uma festa de assentamento da pedra
fundamental de sua sede, saíram às ruas, cantando a Marselhesa, defrontando-se com monarquistas. Houve agressão, confusão e envio
de tropas. Dois meses passados, depois de aparente paz, a contenda recomeçou. Na noite de 10 de agosto, o Hotel Brasil, do
republicano Ananias Barbosa, foi atacado pela polícia, depois de uma reunião e
homenagens ao pregador republicano e líder, Francisco Glicério... A 11 de agosto de
1889, os republicanos (...) apoderaram-se do edifício da Casa da Câmara e Cadeia, que
representava a força e a lei, hasteando, a bandeira revolucionária de Júlio Ribeiro,
proclamando a República, sob o som da proibida Marselhesa.
Em 1968, os poderes constituídos: Legislativo, Executivo e Judiciário
transferiram-se da Praça Capitão Vicente Dias para
edifícios próprios, construídos na Praça dos Três Poderes.
E a antiga Casa da Câmara e Cadeia, que abrigou tantos lances históricos de São
José do Rio Pardo, resiste. Hoje, está preservada pelo Município, pela Lei 1.067, de 3
de outubro de 1979, que a declara de interesse histórico e cultural.
Por Rodolpho José Del Guerra, historiador e cronista da
cidade, é professor na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São José do Rio
Pardo. |